A máquina que dá a nota.
Como o MySurf.AI julga uma onda, onde ele acerta, onde ele erra — e o que a gente faz, toda semana, pra encurtar essa distância.
A nota é o último passo.
Não é “a IA olhou e chutou um número”. São quatro etapas, sempre na mesma ordem — e a nota só aparece no fim, como conclusão do que foi visto antes.
O clipe vai completo pro modelo, do começo ao fim — não são fotos soltas. A IA vê o tempo passar: a formação da seção, a chegada, o que veio depois. Até 60 segundos por onda.
Tubular, de performance, pequena e mole, ou grande e crítica. Tamanho estimado em pés, fundo, formato, condição da superfície. Onda ruim limita a nota máxima — ninguém tira 9 numa marolinha.
Cada manobra, em ordem cronológica, até 20 numa onda. Vale a regra de finalização: manobra só conta se sai no controle — caiu na saída, não entra.
Cinco critérios, cada um de 0 a 10: comprometimento e dificuldade, inovação e progressão, combinação de manobras grandes, variedade, e velocidade/potência/fluidez. A nota é a síntese — e você vê as cinco sub-notas na tela.
O que a máquina enxerga.
Não é que ela seja mais inteligente que um juiz. É que ela é diferente — e as diferenças ajudam justamente onde o olho humano tem limite.
Lê o clipe inteiro com a mesma atenção do primeiro ao último segundo. Não perde a batida porque olhou pro lado.
A 40ª onda do dia recebe o mesmo protocolo da primeira. Sem fadiga, sem pressa de fechar a bateria.
Não sabe seu nome, não viu sua onda anterior, não ouve a torcida na areia. A régua é a mesma pra todo mundo — e é sempre a do surfe de elite.
Ela erra. E a gente mostra onde.
Nota de surf é julgamento, não cronômetro. Quem promete exatidão está vendendo o que não tem — então aqui vai o que a gente sabe sobre os nossos limites.
Toda análise vem com um índice de confiança. Ângulo ruim, longe demais, contraluz, clipe cortado: isso derruba a confiança, nunca a nota. O que não deu pra ver não conta nem a favor nem contra — clipe cortado não vira queda.
Quando a confiança fica baixa, o app avisa na cara, no próprio painel: “Leitura limitada pela filmagem — a nota reflete só o que deu pra ver.”
Rodar o mesmo clipe duas vezes pode dar notas diferentes. A gente mediu isso no nosso próprio laboratório: 8.65 e 7.25 no mesmo vídeo, no mesmo dia.
É por isso que nenhuma tela de calibração nossa mostra nota solta. Sempre a média de três rodadas, com o espalhamento do lado. Uma rodada só não é medição — é anedota.
É uma estimativa técnica, pra treino e diversão. Não é decisão oficial de competição, não é laudo, não vale pra seleção, federação ou patrocínio. Esse aviso está em toda tela que mostra uma nota — não é letra miúda.
Errar faz parte — inclusive pra humano.
A pergunta certa não é “a IA erra?”. É “erra mais que quem?”. E aí a conversa fica interessante.
Por que a tolerância é meio ponto e não um décimo? Porque dois juízes de campeonato discordam entre si mais ou menos nessa margem na mesma onda. Perseguir 0,1 seria perseguir ruído — e fingir uma precisão que o esporte não tem.
Juiz humano
- cansa: a 40ª onda não é julgada como a 1ª
- sequência importa — a onda anterior contamina a próxima
- torcida, nome do atleta, história da bateria
- vê a onda uma vez, ao vivo, sem replay
Nota de IA
- depende inteiramente do que a câmera pegou
- pode variar entre rodadas na mesma onda
- não sente a bateria: não sabe se a onda era a última
- não tem olho treinado por 20 anos de praia
A gente não diz que é melhor que um juiz. Diz que é consistente de um jeito diferente — e que está disponível às 6 da manhã, na sua praia, sem ninguém na areia pra apitar.
Tem um laboratório atrás disso.
A régua da IA não é opinião nossa: é um texto de instruções que a gente testa contra nota real de juiz de campeonato e reescreve quando o número não fecha.
Ondas com nota de verdade
O lote de teste é formado por ondas cuja nota oficial de campeonato a gente conhece. O gabarito fica fora do alcance do modelo — o servidor lê a nota certa por fora, o cliente nunca manda.
30% das ondas nunca são estudadas
Um terço do lote é sorteado uma única vez e fica reservado como prova. A régua se escreve olhando as outras — e é julgada nessas. Impede o sistema de ficar bom só nas ondas que já viu.
Três rodadas por onda, com o espalhamento à vista
Nenhuma decisão é tomada sobre uma rodada só. Compara-se a média, sempre com a diferença entre a maior e a menor do lado.
Erro, viés e ordem — por faixa de nota
Erro médio, se a régua está generosa ou dura, quantas ondas caem dentro de ±0,5 e se acertamos qual onda é melhor que qual. Tudo quebrado nas cinco faixas, de 0–2 a 8–10.
Melhorar a média não basta
Uma régua nova que melhora no geral mas piora uma faixa acende luz vermelha e não sobe. Essa trava nasceu de um caso real, em que exatamente isso aconteceu.
Quando um testador discorda, vira regra
No app existe o “Nota justa? 👍👎”. Um testador autorizado pode dizer qual seria a nota certa e por quê — e essa correção vira uma nota de ensino costurada na régua, com prioridade sobre o texto anterior.
A régua vigente está na revisão 16. Cada análise sai carimbada com a versão que a julgou — dá pra saber, meses depois, exatamente qual régua deu aquela nota. Uma régua nova entra no ar em cerca de um minuto, e sai no mesmo tempo se algo estranho aparecer.
Isso melhora toda semana.
Um sistema de nota não fica pronto — fica menos errado, rodada após rodada. O que está no forno agora:
Quanto mais onda com nota oficial entra no lote, mais fino fica o ajuste — especialmente nas pontas, onde errar dói mais: a marolinha e a onda grande.
Régua de tubo não é régua de onda de parede. O caminho é medir e ajustar cada classe separadamente, em vez de uma média que não serve pra nenhuma.
Hoje a IA já lista o que você fez. O passo seguinte é dar retorno por manobra, com o pedaço do vídeo em que ela acontece.
A nota do MySurf.AI é uma estimativa gerada por inteligência artificial, com fins de treino e entretenimento. Não é decisão oficial de competição, laudo técnico nem garantia de desempenho.